Senhor das Armas

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Ontem estava vendo na TV Senhor das Armas; realmente um dos poucos filmes que mechem com a essência do ser humano; nos faz refletir sobre a sociedade moderna, indagar questões sobre nós mesmos, quem somos? para onde estamos indo?

Já nos letreiros iniciais do filme, nos é ensinado o caminho de fabricação de uma bala para o fuzil mais famoso do mundo, o AK-47, o problema é que estas balas acabam não chegando nas mãos de seus verdadeiros compradores, mas sim de suas próprias vítimas, chegando como se fosse a própria Morte.

17 milhões de armas de fogo estariam em circulação no Brasil atualmente, das quais apenas 49% são legalizadas. [dados da ONG Viva Rio]

O Filme

Senhor das Armas é protagonizado por Nicolas Cage, no filme Yuri Orlov, um verdadeiro perdedor, sem muitas espectativas de vida, vive às sombras da família e não consegue encontrar seu lugar no mundo. Porém, toda a perspectiva de Yuri muda drasticamente quando ele presencia uma guerra de ganges, onde duas pessoas são mortas diante de seus olhos; nesse contraste de sangue e pólvora, Yuri percebe uma forma de ganhar dinheiro, ele percebeu que havia um mercado alternativo, e  que alguém precisaria abastecer este mercado. É aí que tudo começa!

21,72 óbitos em cada grupo de 100.000 habitantes é a taxa de mortalidade por arma de fogo no país, conforme estudo da Unesco. Essa taxa triplicou num período de vinte anos no país.

Para Yuri, não importa o que é feito com seus produtos, ele só vende alguma coisa que alguém precisa; durante muitas partes do filme ele repete para Vitaly (seu irmão mais novo): “Esta guerra não é nossa!”.

é a posição do país no ranking de mortes por armas de fogo, perdendo só para a Venezuela (30,34 a cada 100.000). O Japão foi o país com melhor índice – apenas 0,06, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Yuri começa seus negócios vendendo para grupos militares e milícias particulares no próprio Estados Unidos, e no decorrer do filme, ele acaba se tornando um grande exportador de armas, abastecendo algumas guerras militares na África e Oriente Médio.

Seu calcanhar de Aquiles  é o agente da Interpol Jack Valentine (Ethan Hawke), um agente implacável e incorruptível; mas apesar da honestidade do policial, seus poderes são limitados, como acontece num trecho do filme:

Valentine: Você burlou todos os embargos de armamento já escritos, há suficientes evidências para afastá-lo com consecutivas prisões perpétuas. Passará os próximos 10 anos passando da cela para o tribunal.

Orlov: não vou passar um segundo num tribunal.

Orlov: Um Sr. baterá na porta e será chamado lá fora. Lá fora, estará um homem superior a você. Primeiramente te parabenizará pelo ótimo trabalho, por ter feito do mundo um lugar mais seguro. Receberá recomendações…promoções. E logo lhe dirá que está aqui para liberar-me. Você vai protestar. Vai até ameaçar de renunciar. Mas no final, serei libertado. O motivo de minha liberdade é o mesmo pelo qual eu seria condenado. Eu faço negócios com os mais sádicos e vis homens que hoje se proclamam líderes.

No fim das contas, Yuri abaca, de certa forma, como já tinha previsto quando era mais jovem, sem futuro e sem a coisa mais importante do mundo: família. Este trecho expressa bem (mesmo local do trecho citado ali em cima):

Valentine: Eu creio que você não está entendendo a gravidade da sua situação.

Orlov:  Minha família me deserdou. Minha mulher e meu filho me deixaram. Meu irmão está morto. Acredite-me… Eu estou totalmente ciente da gravidade de minha situação.

Valentine: Te mandaria para o Inferno. Mas creio que já está lá.

Conclusões

Bom, a conclusão vou roubar de João Luís Almeida Machado, Doutor pela PUC-SP no programa de educação: Currículo, pois creio que retrata exatamente minhas conclusões:

“O Senhor das Armas, a despeito da inerente violência de sua trama é um filme que pode se tornar um libelo em favor da paz. As mortes narradas nesse empolgante thriller, que tem como referência a história verdadeira de um contrabandista de armas, devem incentivar as pessoas a cobrar mais determinação dos governos em sua luta contra o comércio ilegal de armas e, principalmente, nos forçar a exigir de nossos líderes políticos um real compromisso de banimento das armas e da violência na Terra…”

Mais alguns dados interessantes:

40.000 pessoas morrem anualmente com o uso de armas de fogo no país, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Mesmo representando 2,8% da população mundial, o país tem 11% dos homicídios.

63,9% dos homicídios cometidos no Brasil são praticados com arma de fogo, conforme números do Datasus. A segunda principal causa, com 19,8% dos homicídios, é o uso de arma branca.

20 a 29 anos é a faixa etária com maior taxa de mortalidade por arma de fogo entre os homens, com 103,1 óbitos por 100.000 habitantes. Dos 15 aos 19 anos, a taxa é de 71,2, e dos 30 aos 39 anos, o índice é de 57,7.

Pra finalizar

Pra finalizar esse imenso post gostaria de citar mais uma parte do filme:

ENQUANTO TRAFICANTES DE ARMAS CONTINUAM PROSPERANDO, OS MAIORES FORNECEDORES DE ARMAS NO MUNDO SÃO USA, INGLATERRA, RÚSSIA, FRANÇA E CHINA.

ELES SÃO TAMBÉM OS CINCO MEMBROS PERMANENTES DO CONSELHO DE SEGURANÇA DAS NAÇÕES UNIDAS.

Irônico, não?!

Fontes e links interessantes:
http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=546
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/armas_fogo/contexto_armas.html
http://www.lordofwarthemovie.com/
http://www.cineclick.com.br/criticas/index_texto.php?id_critica=9107

2 Respostas to “Senhor das Armas”

  1. fric_de_mentol Says:

    pelos vistos temos alguns gostos comuns………….

  2. alberty Says:

    Creio que a proposta do filme é magnífica (alertar-nos sobre a violência e complexidade do mundo no qual vivemos), mas penso que o estado no qual as coisas andam, e sempre andaram, é inevitável. É inerente ao ser humano o ódio, assim como o amor e outros sentimentos, sendo que, essa guerra de certa forma, nunca será nossa.
    Digo isso no sentido de que, como mostrado no filme não são as gangues os maiores compradores/fornecedores/produtores destes produtos, mas sim os Estados (os maiores e de certo modo alguns dos mais desenvolvidos), e por traz dos Estados sempre se encontram pessoas, “que por mais estranho que parece”, olharão primeiramente para seus umbigos, suas necessidades, suas guerras.
    A priori suas questões, posteriormente os outros (povo, natureza, mundo), mesmo que isso signifique a morte de milhares de pessoas que no fundo não tem nada a ver com tais questões. Isso é intrigante, pois eles deveriam fazer o contrário, mas os instintos primitivos regularmente sempre vencem.
    Acho louvável a posição do Dr. João Luís Almeida Machado, em enxergar esta obra de forma positiva, porém minha humilde opinião é a de que isso nunca irá mudar, pois sempre haverão sádicos e homens vis, para promoverem tias façanhas.
    De forma alguma tive como intuito promover qualquer tipo de atitude pacífica frente a tais situações, muito pelo contrário, devemos mesmo nos manifestarmos, muito embora, tentei aqui simplesmente evocar um ponto de vista mais “realista” dos fatos.

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